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    Guia completo para pendurar quadros

    Escolher arte para a tua casa é uma viagem pessoal, quer tenha sido amor à primeira vista, quer uma procura ponderada pelas cores e proporções certas. Representa um investimento de tempo e de visão, e merece ser exibida com o mesmo cuidado. A peça certa no sítio errado pode perder metade do impacto. Acerta na posição e vai parecer que sempre pertenceu ali. O nosso guia percorre os princípios de colocação, divisão a divisão, para que possas pendurar com confiança em vez de adivinhar.

    Gravura de paisagem por cima de uma mesa de café vermelha
    Gravura abstrata pendurada por cima de um sofá castanho

    O princípio base: escala versus divisão

    Antes de escolheres um tamanho, observa bem a divisão. Há três fatores que determinam como uma peça vai ficar na parede:

    1. Altura do teto: define quanto espaço livre tens acima da obra
    2. Largura da parede: determina o tamanho que uma peça única ou um conjunto pode ter
    3. Densidade do mobiliário: quanto da parede já está visualmente ocupado pelos móveis por baixo

    Como ponto de partida, a obra deve ocupar cerca de dois terços a três quartos do troço de parede ou do móvel que está por baixo. Muito mais estreita, parece um pormenor esquecido; muito mais larga, pode tornar-se avassaladora.

    A regra padrão: pendurar à altura dos olhos

    O padrão das galerias é pendurar o centro da obra a 145–150cm do chão, mais ou menos à altura dos olhos da maioria dos adultos, e é a regra a seguir sempre que não houver um móvel como referência. Com tetos muito altos, a linha central pode subir, para perto de 150–160cm, para que a peça não pareça diminuída pelo espaço acima. Em divisões com tetos mais baixos, ficar perto dos 145cm evita que a obra pareça apertada contra o topo da parede.

    Sala de estar

    Por cima do sofá ou do cadeirão, mede a partir do topo do encosto e não do braço: as almofadas mexem-se mais do que a moldura. A altura dos assentos varia, cerca de 70-80cm num cadeirão e um pouco mais num sofá, por isso o ponto central deve ficar por volta dos 140-145cm, com um espaço de 15-20cm acima do encosto. Se houver um candeeiro ou uma mesa de apoio ao lado, mantém a obra dentro da largura do assento para que pareça ancorada em vez de competir com o que está ao lado.

    Paredes de quadros

    Uma parede de quadros é, na verdade, uma grande peça composta por várias molduras, e deve ser tratada como tal. A mesma regra de dois terços a três quartos da largura e a centragem à altura dos olhos aplicam-se ao conjunto como um todo, e não a cada moldura individualmente.

    1. Mantém um espaçamento uniforme de 5–8cm entre todas as molduras
    2. Pendura primeiro a peça maior ou principal à altura dos olhos e depois vai construindo para fora a partir daí
    3. Escolhe uma grelha simétrica para um visual limpo e ordenado, ou opta por uma disposição mais livre, ao estilo salão, que pareça reunida ao longo do tempo
    4. Os números ímpares – três, cinco, sete – encaixam-se de forma mais natural numa composição. Os números pares podem dar a sensação de procurar uma simetria que ainda não encontraram por completo
    Gravura abstrata salpicada pendurada por cima de uma cama
    Gravura com duas figuras pendurada por cima de uma cama

    Quarto

    O quarto tem dois pontos de ancoragem naturais, a cabeceira e as mesas de cabeceira, cada um com uma escala diferente.

    Por cima da cabeceira

    Aplica-se aqui a mesma regra de dois terços a três quartos da largura, com um acrescento: presta atenção à simetria com as mesas de cabeceira e os candeeiros de cada lado, já que o olhar lê a parede inteira como uma só composição. Deixa 15-25cm entre o topo da cabeceira e a parte inferior das molduras.

    Por cima da mesa de cabeceira

    Aqui o olhar vem de uma posição sentada ou deitada, por isso a obra fica mais abaixo do que na regra padrão da altura dos olhos, e a própria moldura deve ser mais pequena.

    1. Mantém a moldura em 50-75% da largura da mesa de cabeceira; mais larga do que isso começa a parecer pesada no topo
    2. Pendura a parte inferior 20-30cm acima do tampo, deixando espaço para os objetos do dia a dia sem tapar a obra
    3. Alinha o centro com o ponto médio da mesa de cabeceira, e não com a cama
    4. Se houver um candeeiro de mesa, coloca a moldura um pouco mais acima ou afasta o candeeiro para o lado da cama, para que só se sobreponha parcialmente ao passe-partout

    Juntar tudo

    A peça por cima da cabeceira e as peças das mesas de cabeceira devem parecer pertencer ao mesmo conjunto sem serem iguais: um tom ou tema em comum funciona melhor do que uma moldura ou um estilo idênticos.

    Gravura de paisagem enevoada pendurada por cima de uma mesa de jantar
    Gravura abstrata cinzenta por cima de um aparador em rattan

    Arte XL

    As peças XL pedem uma abordagem diferente consoante o que está por baixo: um móvel de referência altera as proporções habituais, uma parede livre não.

    Com um móvel de referência

    Este é o único caso em que a habitual regra de dois terços a três quartos se inverte: uma única peça XL pode ultrapassar um apoio baixo como um banco, desde que a parte saliente pareça intencional e não acidental. Centra a peça e mantém a saliência igual dos dois lados. Um banco fica mais baixo do que a altura normal dos móveis, por isso mede o espaço de 15-20cm a partir da sua altura real, cerca de 60-65cm, e não dos habituais 85cm.

    A altura do teto influencia o espaço que sobra por cima, cerca de 35-40cm num teto padrão e 80-100cm ou mais num teto mais alto, e também orienta a escolha do formato. Opta pelo formato vertical por cima de um apoio estreito como um banco, onde a largura é sempre limitada. Por cima de um sofá, onde a largura já é generosa, o formato horizontal aproveita melhor o espaço. Com um teto mais alto, essa limitação diminui e a orientação passa a ser mais uma questão de estilo.

    Numa parede verdadeiramente livre

    Caixas de escada, paredes altas de corredor, espaços com pé-direito duplo: qualquer sítio sem nada por baixo que sirva de referência. Neste caso, o ponto central sobe em relação à altura padrão dos olhos, normalmente para 155-165cm à medida que o pé-direito aumenta, e ajusta-se à própria parede em vez de a um número fixo. É aqui que a arte XL pode ser a grande peça de destaque da divisão. Quer esteja ancorada a um móvel por baixo, quer sozinha numa parede livre, o princípio mantém-se: deixa a peça ocupar o espaço que conquistou e confia que é a escala que a faz parecer bem pensada.

    Não tenhas pressa. Dedicaste reflexão, e muitas vezes bastante tempo e dinheiro, à arte que escolheste, e ela merece uma posição à sua altura. Se ainda estás a decidir como emoldurar, o nosso guia para escolher uma moldura é um bom próximo passo: aborda não só o aspeto de uma moldura, mas também a forma como protege a obra durante anos.