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    Momentos do quotidiano de Iga Kosicka

    Iga Kosicka é uma ilustradora e historiadora de arte polaca que vive em Copenhaga. Combinando a sua formação em história da arte e design gráfico, cria obras que fazem a ponte entre o real e o imaginado, muitas vezes inspiradas em naturezas-mortas clássicas e formas antigas. Com aguarelas, guache e lápis de cor, capta momentos serenos e nostálgicos com cores vivas e texturas suaves. O seu estilo, divertido mas ponderado, traz uma pausa suave ao ritmo acelerado da vida moderna.

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    Gravura floral de Iga Kosicka por cima de uma cama com almofadas aos quadrados

    Fala-nos de ti e de como começaste na arte.

    Chamo-me Iga Kosicka e sou ilustradora e designer gráfica a viver em Copenhaga. Tenho formação em história da arte e design gráfico, o que influencia a minha abordagem à narrativa visual.

    Sempre me senti atraída pela arte e adorava desenhar e pintar desde muito pequena. Terminei o secundário numa escola artística e mais tarde decidi estudar história da arte para aprofundar o meu conhecimento sobre os fundamentos e as origens da arte. Depois de concluir o mestrado, fiz uma pós-graduação em design gráfico para criar uma base mais prática para a minha carreira e alargar as minhas competências. Com esta combinação de conhecimento artístico e capacidades técnicas, senti que tinha todas as ferramentas necessárias para contar a minha história artística.

    Quais são as tuas maiores influências artísticas?

    Inspiraram-me profundamente a efemeridade e a luz das composições de Matisse, as formas e cores arrojadas da obra de David Hockney e as naturezas-mortas estáticas e silhuetas femininas das pinturas de Pierre Boncompain. Só para referir alguns.

    Como evoluiu o teu estilo artístico ao longo dos anos?

    O meu estilo artístico evoluiu claramente ao longo dos anos, sobretudo à medida que fui experimentando diferentes técnicas e temas. Ainda assim, há um fio condutor claro que liga os meus trabalhos mais antigos ao que crio agora, e reconhecê-lo-ias como meu. Ultimamente, tenho-me focado mais na narrativa poética, explorando significados mais profundos e camadas emocionais. Dito isto, o meu amor pela cor mantém-se constante. Por muito que a minha abordagem mude, a cor é algo que me vai atrair sempre.

    Fala-nos um pouco da tua coleção mais recente.

    A coleção que criei para a Postery reúne vários dos meus temas favoritos – de naturezas-mortas a animais e pessoas, que é o que mais gosto de ilustrar. Todas as peças partilham uma calma suave e pastel que dá unidade à coleção. Estou muito contente com esta seleção e com a forma como reflete o tom geral do meu trabalho.

    Qual é o maior desafio de ser artista?

    Um dos maiores desafios de ser artista é lembrares-te regularmente porque é que o fazes. É fácil perder isso de vista no dia a dia. Outro desafio é procurar continuamente novos objetivos artísticos e ultrapassar os teus limites – caso contrário, é fácil cair numa rotina criativa.

    Gravura de Iga Kosicka com uma mulher à mesa por cima de um aparador com uma escultura
    Iga Kosicka com uma camisola às riscas em frente a uma das suas pinturas

    Como consegues equilibrar o trabalho e a vida pessoal enquanto artista?

    Neste momento, tenho de seguir uma rotina estruturada. Como sou eu quem cuida da criança cá de casa, a nossa agenda é bastante intensa, por isso às vezes tenho de esperar vários dias até conseguir finalmente ir ao meu estúdio e começar a pintar uma cena que já tenho na cabeça há algum tempo. É algo a que tive de me adaptar. Para manter as ideias frescas, fotografo coisas que quero ilustrar no futuro e faço esboços em bruto – muitas vezes muito toscos, quase ilegíveis para qualquer pessoa além de mim. Este processo ajuda-me a manter a ligação ao meu trabalho, mesmo quando não posso pintar logo.

    Onde vives? O sítio onde vives tem impacto na tua arte?

    Vivo em Copenhaga, uma cidade compacta e encantadora que se atravessa de bicicleta em cerca de uma hora. Sinto-a mesmo como a minha casa, e o seu estilo de vida influenciou sem dúvida a minha arte. Como homenagem, cheguei a escrever e ilustrar um livro sobre os parques de Copenhaga. No entanto, o meu trabalho não se centra em retratar locais específicos. Em vez disso, foco-me em captar as cenas, as emoções e a atmosfera que vivo nesses lugares. Por isso, embora o sítio onde vivo me inspire, tem mais a ver com o sentimento que desperta do que com os seus detalhes físicos.

    Dirias que és introvertida ou extrovertida?

    Sou sem dúvida introvertida. Gosto de estar com pessoas e valorizo a ligação com os outros, mas tenho limites claros que me ajudam a proteger a minha energia. Preciso de tempo sozinha para recarregar baterias e refletir, e é nesses momentos de silêncio que me sinto mais criativa. É por isso que gosto de trabalhar como trabalho: passar horas sozinha no meu estúdio não me incomoda nada – pelo contrário, parece-me natural e gratificante.

    Como imaginas as tuas gravuras num interior?

    Adoro ver o meu trabalho em diferentes interiores – deixa-me mesmo orgulhosa. Há algo de incrivelmente especial em saber que pessoas de todo o mundo escolheram ter as minhas gravuras em casa. Significa muito para mim que tenham convidado a minha arte para os seus espaços pessoais e decidido viver com ela, vendo-a todos os dias.

    Qual foi o melhor conselho que já recebeste sobre arte?

    O melhor conselho que já recebi sobre arte foi não me focar no dinheiro. Algumas obras vão vender-se, outras não – mas nada traz uma felicidade mais duradoura do que mantermo-nos fiéis a nós próprios através do nosso trabalho. Correr atrás de tendências não leva à realização. Se tiver de ser, será.

    Obrigado, Iga!

    Gravura de uma cadeira vermelha de Iga Kosicka por cima de um cadeirão branco
    Grande plano de uma gravura de Iga Kosicka com um jarro cor-de-rosa e uma romã

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